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terça-feira, abril 12, 2011

Blogagem coletiva - contra o mau jornalismo

(Clique na imagem para melhor visualização. Charge satirizando o tratamento da imprensa esportiva paulistana em relação ao SantosFC)

Nós, blogueiros e torcedores santistas, estamos coletivamente através deste texto postado de forma conjunta em nossos espaços virtuais de discussão, deixando claro o nosso repúdio e nojo com a maneira que está sendo tratada a possível saída do jogador Paulo Henrique.

Estamos enojados com a enxurrada de notícias que não se concretizam da saída do jogador para o Sport Clube Corinthians Paulista. Não pela possibilidade da transferência acontecer, e sim pelo grande número de “furos” noticiados de forma irresponsável.

Não temos a pretensão de ensinar alguém a fazer jornalismo. Temos a intenção sim, de pedir aos jornalistas ou não que trabalham no meio que sejam, minimamente, éticos e profissionais.

Quantas vezes as notícias de saída do jogador já foram desmentidas por procuradores do jogador, pelo assessor do jogador? Quantas vezes o jogador “esteve negociado com o Corinthians” e veio publicamente desmentir tal notícia? Quantas vezes, na saída de campo, os repórteres e outros profissionais deixam de abordar detalhes do jogo, para falar em transferência do atleta?

Não somos bobos. Todos sabemos que, assim como nós, jornalista veste camisa e torce para time A, B ou C. O que, na função de telespectadores e ouvintes, não nos interessa. O que nos interessa é a veracidade do que é noticiado e a forma que isso é tratada.

Estamos cansado de “tivemos a informação”, “uma fonte contou”, “um ex-diretor do clube disse”. Que informação? Que fonte? O jornalismo preza pela proteção da fonte, porém, preza também pela apuração dos fatos de forma correta. E seja na faculdade de jornalismo, seja na vida, vamos aprendendo que sempre é necessário ouvir os dois lados da situação.

Porque o “sim de Ganso” é destaque nos sites, capa de jornal, tema central de discussões de programas de rádio e TV e a resposta do presidente do clube vira canto de página e rodapé de programa? Resposta esta que é a mais importante, pois devemos lembrar aos nossos nobres jornalistas que, o jogador Paulo Henrique Ganso tem contrato vigente com o Santos até o ano de 2015 e que nessa relação profissional, o jogador só sai mediante pagamento da multa, conforme valores estipulados em contrato.

Trocando em miúdos. De nada adianta o jogador se acertar com presidente de clube A ou B, se o clube não pagar a multa. Creio que não precisamos lembrar disso a alguns dos nobres jornalistas, pois eles detêm essa informação até com mais detalhes que nós.

O que nós, blogueiros torcedores do Santos EXIGIMOS é ética.

Exigimos que o jornalista, antes de escrever uma matéria, esqueça que ele tem no coração um time e lembre que ele tem nas mãos o poder de formar opiniões. Esqueçam se eles tem desavenças com essa gestão do Santos e simpatia pelo antigo presidente – e não reputamos a ele nenhuma culpa sobre os incidentes, que fique claro – e lembrem que são profissionais pagos para noticiar de forma correta e verdadeira. Isso nós como leitores, ouvintes e telespectadores EXIGIMOS de vocês e dos veículos que os contratam.

Pois lembrem-se vocês que, o torcedor, baseia-se na opinião escrita e falada por vocês para formar a opinião dele. E se, vocês jornalistas, distorcerem um fato, formam opiniões distorcidas, que não são condizentes com a verdade. Até quando vocês, na função de formadores de opinião, irão continuar gerando um clima de insatisfação e de desconfiança do torcedor com um atleta, com informações que não se confirmam?

Em um momento do país onde vemos a violência banalizada, inclusive no esporte, exigimos que haja a responsabilidade na publicação de uma notícia e na formação da opinião do torcedor.

Exatamente por entendermos esse momento nós, blogueiros, estamos pedindo a todos os torcedores santistas, para que não promovam qualquer tipo de protesto, retaliação ou cobrança excessiva ao jogador Paulo Henrique Ganso, mesmo que esteja havendo uma tremenda irresponsabilidade na divulgação de notícias informando a possível saída.

Pedimos para o torcedor santista que, enquanto o jogador vestir a camisa do Santos que ele seja tratado como profissional que é. Que receba os aplausos e as críticas quando merecer e não pelo que for imputado a ele. Já que ele, em nenhum veículo, disse até o momento que jogaria pelo Corinthians, pelo contrário.

Pedimos também ao torcedor santista que repudiem veículos que, sempre em vésperas de jogos decisivos, tem aparecido com notícias vinculadas a saída de jogadores. Desde o ano passado vivemos isso com o Neymar e agora de forma mais abrupta com o Paulo Henrique. Há veículos que tem tratado o assunto de forma séria, seja em rádios, seja em televisão aberta ou fechada, seja na internet. Procurem estes veículos, informem-se com outros torcedores santistas sobre quem está tratando o futebol de forma ética. Certamente, o torcedor chegará a conclusão e saberá distinguir os bons e maus profissionais.

Sabemos do tamanho do recalque que há de alguns profissionais de comunicação e veículos em ter que admitir que o Santos Futebol Clube é gigante e ultrapassou as fronteiras da cidade, do país. E vemos, no trabalho de alguns deles, que esse recalque vira distorção e mau jornalismo.

Respeitamos o direito e a opção profissional do atleta, caso ele deseje e decida sair do clube. Queremos apenas que ele continue cumprindo com suas responsabilidades enquanto atleta do Santos Futebol Clube e que, se desejar sair, que seja pela porta da frente.

Uma mentira pode dar a volta ao mundo... enquanto a verdade ainda calça seus sapatos”. - Mark Twain

Texto de Renato Ribeiro: http://www.blogsantista.com.br/renato/

Charge 1: finado Ministro Veiga (de 2007)

Charge 2: RPN http://twitpic.com/photos/RPNonline

segunda-feira, março 15, 2010

Sobre Santos 3 x 4 Palmeiras: um grande jogo e lições a aprender

(clique na imagem para visualizar melhor)

O Palmeiras quebrou a invencibilidade de 12 partidas do Santos ao derrotar o alvinegro por 4 x 3 na Vila em uma grande partida. Teve de tudo ontem no estádio Urbano Caldeira: gols bonitos, falha de goleiro, dancinhas, arbitragem frouxa, lances geniais.

O Santos falhou muito em seu setor defensivo. Culpabilizar o goleiro Felipe pela derrota – falhou no 4º gol por estar adiantado e desatento no jogo – é simplista e esconde a principal deficiência do time neste campeonato: o desequilíbrio entre um ataque incrível e um sistema defensivo frágil. Sem contar os “apagões” que o time sofre em determinados momentos dos jogos. O Santos simplesmente “para” de jogar e isso vem acontecendo desde a partida contra o Bragantino, passando por Rio Claro, Corinthians e até Naviraiense (no 1º jogo, em MS).

Dorival precisa resolver isso. A zaga está muito desprotegida e é preciso de um volante “cão de guarda”, daqueles que tenham como ofício a marcação implacável e a cobertura da zaga. O problema é que no elenco só tem “meia boca”: Roberto Brum, Germano e Rodrigo Mancha são fracos. Mesmo assim Dorival deveria pensar na escalação do Mancha, o menos ruim dos três, para compor melhor o meio de campo. É bonito ver uma equipe com vocação tão ofensiva, mas é bom lembrar que não é todo o dia que um time toma 3 gols e marca 6.

Ontem marcamos 3 gols no Palmeiras – que obviamente não é a Naviraiense, como certos comentaristas insinuaram – que tem Marcos no gol, mas tomamos 4 gols em falhas grotescas de posicionamento da zaga, tanto que no 1º gol verde eram três jogadores subindo para cabecear, livres de marcação, restando apenas ao goleiro Felipe uma saída não muito honrosa, mas sem muito o que fazer. O resultado acabou sendo justo porque o Palmeiras soube aproveitar bem todas essas deficiências santistas.

Patrulhamento


Enquanto o Santos e os meninos da Vila faziam a festa contra Bragantino, Rio Branco e outros times do interior, ninguém reclamava de “desrespeito” e “gracinhas” que os habilidosos jogadores de frente do Santos faziam – muito pelo contrário, diversos comentaristas e jornalistas exaltavam a “volta do futebol arte, do futebol moleque” e outros termos elogiosos e saudosistas.

Porém primeiro veio a paradinha no pênalti convertido por Neymar no clássico contra o São Paulo e um humilhado Rogério Ceni desabafando de forma grosseira e arrogante contra o moleque ousado de 18 anos recém-completos; depois veio o chapéu no zagueiro Chicão, do Corinthians, em clássico vencido pelo Santos na Vila. E aí começou todo o patrulhamento em torno dos jovens jogadores santistas. Houve até quem defendesse que o Chicão "arrebentasse" o Neymar.

Os mesmos jornalistas e comentaristas que outrora louvavam o “futebol moleque” passaram a falar de “molecagem”. Passaram a dizer que o time de meninos era “mascarado”, que subestimava e humilhava os adversários.

Ao final da partida contra o Santos, o meia Diego Souza, do Palmeiras, tomou as dores do zagueiro Chicão e desabafou: “eles fazem o que querem, subestimam muito os outros times. O Neymar disse que deu aquele chapéu no Chicão porque deu vontade. Isso não se faz”. Seria ótimo que o Diego Souza também fosse solidário a jogadores que recebem cotoveladas e são caçados em campo. Isso, sim, não se faz.

Há uma inversão de valores muito interessante. Jogadores com Neymar, Paulo Henrique e Robinho possuem recursos técnicos que um Chicão, Dentinho e Diego Souza não possuem. Pecado seria se os jogadores santistas não utilizassem todos aqueles recursos, como pedaladas, dribles, lançamentos, chapéus. Interessante que tais recursos são vistos como “desrespeito” ao adversário, mas as cotoveladas e lances perigosos que se constituem em entradas maldosas são considerados “do jogo”. Se outros jogadores não possuem toda essa técnica, cabe a eles encontrar seus pontos fortes e treinar, e não procurar intimidar um grupo de garotos que joga futebol como se fosse uma diversão.

Diversão. Talvez este seja o problema. Em um mundo muito chato e politicamente correto, onde palavras como “respeito” e “profissionalismo” muitas vezes não passam de meros discursos hipócritas quando se convém utilizar – sobretudo no Brasil, onde o “jeitinho” e o improviso infelizmente ainda imperam - , a diversão, a alegria, a espontaneidade parecem ser proibidas.

Eu me divirto vendo esse jovem time santista jogar, mesmo que não seja campeão ( é futebol, nem sempre os melhores times vencem, vide Brasil 1982) é um prazer assistir partidas em que o Santos entra em campo. Porque não apenas os meninos jogam bonito e com alegria que resulta em belos lances e gols fantásticos, mas também porque o adversário se esforça ao máximo para vencê-los. E o resultado é um grande jogo de futebol.

Infelizmente, ao que parece, para muita gente, perdura a filosofia Pé-de-Uva do futebol de resultados cujo o gol é “apenas um detalhe”. Que seja. Mas não condenem o que só aparece de tempos em tempos e por um curto período em nosso pobre e desgastado futebol: um time alegre, espontâneo e habilidoso.

Porque também precisamos de um pouco de humor!

Palmeirenses agora estão com a moda do “Porcolation”.Nada contra, é criativo,desde que fique apenas neste campo das dancinhas e brincadeiras saudáveis, sem descambar para agressões. Neste espírito vamos relembrar uma charge do saudoso Ministro Veiga, desaparecido desde 2008 e que até hoje não se tem notícias sobre seu paradeiro.
Escrito por Jaime Guimarães, que achou a senha do blog com a ex-namorada do Ministro Veiga, a Cunegunda. Só não perguntem como ele obteve tal senha. Siga no twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess e no blog http://grooeland.blogspot.com/