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segunda-feira, agosto 20, 2012

Tite e seu mau exemplo


"Está na hora de alguém educar esse rapaz, ou vamos criar um monstro."
"É mau exemplo para o garoto que está vendo, [é mau exemplo] para o meu filho".

Uma rápida análise nestas frases nos passa a impressão de que estamos falando de um marginal ou de um indivíduo que representa um perigo para a sociedade. Não se trata de nada disso: tais expressões foram direcionadas ao jogador de futebol Neymar e foram ditas por treinadores de futebol - René Simões e Tite, respectivamente.

Neymar é um jogador que suscita discussões acaloradas desde o momento em que fez sua primeira aparição no time profissional do Santos, em 2009. O garoto, então com 17 anos, chamou a atenção por sua técnica apurada e dribles desconcertantes. Logo se tornaria alvo dos zagueiros e por conta do físico franzino levava a pior quando acontecia o contato físico com o jogador adversário - daí surgiu a história do "cai cai".

Desde então as coisas aconteceram muito rápidas para o jogador. Em 03 anos Neymar coleciona números impressionantes: são títulos (tri campeão paulista, campeão da Copa do Brasil, campeão da Libertadores), gols (112 gols em 192 jogos incluindo a seleção brasileira) e contratos de publicidade milionários associados a um plano de carreira, o que fez o jogador e staff resistirem ao assédio de clubes europeus como Chelsea e Real Madrid e assim permanecer no Santos. Neymar, hoje, é um sucesso nos gramados - é visível a evolução tanto técnica quanto comportamental do jogador com apenas 20 anos - e estranhamente isso incomoda a muita gente.  

Incomoda tanto ao ponto do técnico do Corinthians, Tite, declarar que o jogador é um mau exemplo para os garotos - inclusive para o próprio filho do técnico. Evidente que o técnico corintiano estava de "cabeça quente" com a derrota de seu time na Vila Belmiro e com um gol santista em flagrante impedimento sendo validado; mas um profissional que está em seu melhor momento da carreira ( conquistou o campeonato brasileiro e a Libertadores pelo Corinthians) deveria dosar as palavras. Tite parece ter esquecido que trabalhou com o  polêmico atacante Adriano, um jogador envolvido em várias confusões - inclusive com traficantes; e que tem no seu elenco o atacante Emerson Sheik, condenado por falsidade ideológica em 2007. E se estendermos a discussão sobre "bons exemplos" chegaríamos ao clube onde o treinador atualmente exerce sua função, notoriamente beneficiado pela arbitragem e por esquemas envolvendo desde lavagem de dinheiro à máfia do apito

Pode-se dizer o que quiser do jogador Neymar dentro de campo: genial, craque, talentoso, cai-cai, marqueteiro, marrento... enfim, são opiniões comuns dentro de uma rivalidade normal relacionadas ao futebol; contudo, muita coisa que se escuta e lê sobre o jovem jogador do Santos é carregada por um ódio quase inexplicável em críticas geralmente não relacionadas ao futebol - a aparência, o gosto musical, as aparições publicitárias, o dinheiro. 

Ao reforçar estereótipos e conferir outro rótulo imbecil ao Neymar por conta de uma derrota de seu time em que o jogador santista teve atuação destacada, quem dá mau exemplo é o técnico Tite - que desta forma entra definitivamente para o grupo dos maus perdedores, pois "dessa aversão pelo sucesso alheio e do desespero em virtude de seus fracassos, a alma exaspera-se contra a sorte (...) e afunda na comiseração". (Sêneca)

Desenhando: é muita "chorabilidade".





quarta-feira, dezembro 21, 2011

Pedido de Natal



(obviamente a charge é antiga, mas vale o sentido)

Querido Papai Noel:

Sei que o senhor está cheio de tantos pedidos a cumprir por esta época. Mas eu me comportei bem este ano: agüentei salas de aulas lotadas, adolescentes marrentos e governos traidores, corruptos e incompetentes. O senhor não acha que eu mereço um presente?

Como, o senhor prefere ser chamado de “Seu Noel”? Tudo bem. Olha, seu Noel, eu não tenho muito o que reclamar de 2011: meu time foi campeão paulista, foi campeão da Libertadores da América e segurou o Neymar no elenco. Infelizmente perdemos a final do Mundial para uma equipe que está em um patamar muito acima do futebol brasileiro e de um jeito não muito bonito de se ver.

Desta forma eu repensei um pouco a minha listinha. Acho que até melhora pro senhor, digo, seu Noel, porque nesta listinha os presentes são modestos, quase lembrancinhas. Eu tenho certeza que o meu velho Noel de guerra, o meu querido Papai Noel velhinho batuta – o que? Ah, é uma linda canção tradicional em meu país, mas não importa – irá realizar estes singelos e modestos pedidos:

1 – Um calendário do ano de 2012 contendo o segundo semestre e todos os 365 dias do ano para a diretoria e presidência santista.

2 - Uma política de contratação de reforços mais eficiente. Não dá pra apostar em zagueiro da série B cujo time despencou pra série C ou gastar uma grana em jogador cuja última referência de bom futebol ocorreu há 4 ou 5 anos. Apostas só se forem em moleques com algum potencial. Talvez um bom gerente de futebol, seu Noel, seja um bom presente, o que você acha?

3 – Um vidrinho de tônico revitalizante + florais de humildade para o nosso querido treinador, Muricy Ramalho. Sei lá, seu Noel, parece que ele anda meio sem vontade de trabalhar, anda muito rabugento, mal humorado, não reconhece os erros e nem procura corrigi-los...

4 – Uma caçamba. Das bem grandes. Porque o Santos precisa de uma caçamba pra caber um monte de jogadores que a torcida não agüenta mais assistir com a camisa do alvinegro.

5 – Seria pedir demais o retorno do Robinho, a contratação do Montillo ou do Conca e daquele menino que joga como volante na Portuguesa, um tal Guilherme? Ah, sei lá, seu Noel, a gente manda o Henrique e mais uma grana aos patrícios. E o Fábio Costa de brinde! E...bem, eu sei que estou pedindo demais, mas não dá pra trazer o Dedé (zagueiro do Vasco) não? A gente daria Edu Dracena, Ibson e mais uns trocados... ou então aquele zagueiro, o Rever, do Atlético-MG. Ô, seu Noel, vai, isso custa menos que um Playstation!

6 – Uma passagem só de ida para a Ucrânia. Esse presente é pra um “amigo” secreto: eu achava que era um cara inteligente, mas com o passar do tempo revelou-se um verdadeiro pato...ou marreco. Esse cara é o ******!

7 – O prêmio da mega sena da virada. Mas esse é todinho pra mim, certo?
Bom, seu Noel, essa é a minha listinha. Repare que não têm pedido de mansões, iates, automóveis, 100 mil dólares, mulheres. Se bem que se o senhor estiver muito ocupado para me dar estes presentes, manda aquela sua assistente moreninha que eu vi outro dia no shopping, eu não vou ficar nem um pouco chateado.

Um abraço, meu bom velhinho! E Feliz Natal, ho ho ho!

quinta-feira, julho 28, 2011

Santos 4 x 5 Flamengo: o jogo do ano! (até agora)


Há jogos que merecem algumas considerações, mesmo correndo o risco destas serem superficiais ou repletas de chavões que pouco acrescentam. Assumo o risco de escrever sobre o melhor jogo de 2011 até aqui: Santos 4 x 5 Flamengo, na Vila Belmiro. Um jogo que não merecia ter um perdedor. Torci por um 5 x 5, um resultado que seria o mais justo - se pudéssemos falar em justiça nesse esporte que é o futebol.

A mãe do ano

O sistema defensivo do Santos. Apesar do Santos ter feito 3 x 0 em pouco mais de 20 minutos do primeiro tempo, o Flamengo levava perigo sobretudo pelas laterais. Léo e Pará estavam verdadeiras avenidas, mas a cobertura também deixou a desejar com um meio de campo pouco combativo. Juntemos tudo isso à zaga disposta a entregar e pronto: o Santos foi uma verdadeira mãe. Um meio de campo com Arouca, Ibson, Elano e Ganso é retornar aos tempos de Dorival Jr - e desta vez sem Robinho para ajudar o ataque a fazer 5 gols enquanto tomava 3 ou 4 gols. Adriano Pagode tem lugar nesse time. Quem sai? Não sei, mas espero que o técnico Muricy não seja adepto de "nome que joga".

Neymar e Ronaldinho, os protagonistas do espetáculo

Há muito tempo que Ronaldinho Gaúcho não apresentava um futebol tão vistoso. Claro, jogou sem marcação especial, livre e desimpedido. Falha de Muricy Ramalho ao não ordenar marcação individual? Faltou Adriano para "anular" o Gaúcho? Talvez. Mas isso não apaga o brilhantismo do jogador que reeditou as apresentações que o torcedor não via há muito tempo.

E o que falar de Neymar? O gol que o garoto fez ao deixar todo o sistema defensivo flamenguista para trás partindo quase da intermediária merece uma placa. Fez gol, deu passe para o centroavante finalizar, cavou pênalti, enfim, jogou muito. Neymar é um dos jogadores mais criticados e perseguidos dos últimos tempos - nunca vi um jogador despertar tanto rancor entre alguns "jornalistas" (aspas necessárias) esportivos e torcedores adversários. No entanto as pessoas esquecem que ele tem apenas 19 anos. Amadurecimento não é uma coisa que se constrói do dia para a noite.

Elano, o que se passa?

Fez um lançamento primoroso para o gol de Borges no primeiro tempo e deu a impressão de que seria um dos nomes do jogo. E foi, mas de forma negativa: perdeu uma penalidade de forma bizarra, discutiu com torcedor e mais uma vez não apresentou um bom futebol. Elano passa por problemas particulares, como admitiu em entrevista à Rádio Bandeirantes - declarações muito honestas, por sinal - e ultimamente tem sido alvo da "torcida brasileira". Elano precisa repensar a vida, precisa de um descanso psicológico, precisa retomar à condição de bom coadjuvante - nunca foi craque e nunca será. Precisa se convencer disso.

Soberba; mérito do Flamengo

Alguns torcedores do Santos criticaram a soberba do time do Santos ao abrir 3 x 0 e deixar o Flamengo empatar até com alguma facilidade. Concordo que o alvinegro relaxou, que Muricy Ramalho, desta vez, foi um treinador espectador e jogadores como Elano, Ibson, Ganso praticamente passearam em campo em apatia realmente irritante. Mas afirmar que o Flamengo venceu apenas pela "soberba" do Santos - que "deixou o time carioca jogar como quis" - é ter uma postura arrogante também.

O Flamengo teve méritos. Aproveitar as falhas do adversário também é uma virtude. Foi assim que a seleção italiana eliminou a maravilhosa seleção brasileira na Copa de 1982 na Espanha. Qual adversário que diante de um 3 x 0 em desvantagem com 25 minutos do primeiro tempo não desmorona? A equipe praticamente se entrega, o treinador fica perdidinho à beira do gramado e tenta fazer substituições primeiro para impedir mais gols do adversário e só depois para tentar reação.

A equipe carioca soube manter o controle e continuou jogando em cima das inúmeras falhas de marcação do Santos. E o Flamengo tem Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e Deivid. Sim, são baladeiros, jogam "quando querem", instáveis, o que seja; mas não desaprenderam a jogar futebol. Jogando livres e explorando os vacilos de zaga e volantes, têm poder de decisão. E o Flamengo também tem Vanderlei Luxemburgo, que dispensa maiores comentários sobre caráter, mas quando se concentra apenas em ser técnico de futebol, entende muito do riscado.

O Santos perdeu para um adversário qualificado, que marcou 5 gols ( ganhar desse time titular do Santos é preciso jogar muito mais do que se joga normalmente) e virou a partida atuando com inteligência e sem desespero. Isso é mérito.

Quando o jogo é bom, não dá para ficar chateado

Torcedor gosta de ver o seu time ganhar, não importa se meio a zero e com gol impedido. Claro que como torcedor santista eu gostaria de assistir um time mais seguro e vencendo a partida. Mas em um jogo onde vimos o desfile de jogadas de Neymar e Ronaldinho Gaúcho e revendo os lances, até esqueço que o Santos perdeu e o Flamengo ganhou.

Uma ode ao futebol, ao bom futebol brasileiro, que sobrevive em Neymar e Ronaldinho Gaúcho, apesar de Ricardo Teixeira, Fielzão, FIFA e aproveitadores diversos.


quinta-feira, junho 23, 2011

SANTOS SEMPRE SANTOS! TRICAMPEÃO DA LIBERTADORES 2011


(clique na imagem para melhor visualização)

"Santos, tricampeão da Libertadores da América". Você pode não acreditar mas pensei um bocado antes de escrever isso. Como iniciar um texto de forma coerente e que transmita ao mesmo tempo informação e opinião para os leitores? Melhor não tentar. Ou melhor, parafraseando um programa de rádio aqui em Salvador, o jeito é "deixar o coração mandar".

ANTES DO JOGO

Eu estava tranquilo. Não procuro por informações do time, escalação, nem mesmo comento nada sobre o Santos na véspera de jogos finais. É uma maneira que descobri para driblar a ansiedade. Tem dado certo.

DURANTE O JOGO

Toda a tranquilidade foi embora. Eu tremia tanto que pensei: "vou ter um troço por aqui, não é possível". A situação só foi melhorar no começo do segundo tempo com o gol do Neymar. E com o apito final, é claro.

DEPOIS DO JOGO

Só alegria, risos, lágrimas e uns gritos que renderiam multa por parte do síndico. Felizmente o prédio está vazio porque os vizinhos viajaram para curtirem as festas juninas. Viva São João, viva Neymar, viva Pelé!

PELÉ

Foi emocionante ver o Pelé no Pacaembu torcendo pelos garotos e levando o Muricy até o meio de campo em uma homenagem mais do que justa e merecida. Que me desculpem os torcedores das outras agremiações, mas só o Santos tem isso. Pelé eterno!

MURICY RAMALHO

Tem jornalista lá do Rio de Janeiro perdendo o sono e com problemas gástricos com o técnico Muricy Ramalho. Responsável por acertar taticamente esse time do Santos, Muricy se consolida de vez como o melhor técnico atualmente em atividade no futebol brasileiro. Para desespero dos ressentidos.

RAFAEL

O goleiro mais jovem a ser campeão da Libertadores. Habemus goleiro! Quando foi que o Santos revelou um camisa 1 tão bom? Como esquecer sua atuação na partida contra o América lá no México? É contrato longo e história no Peixe!

ADRIANO

Já foi xingado, chamado de perna de pau e outros termos que é melhor nem lembrar. Voltou ao Santos depois de um período emprestado e tomou conta da camisa titular. A raça e a dedicação com que joga é um exemplo de respeito imenso ao Santos. Ah, e o tal Martinuccio não viu a cor da bola nos dois jogos das finais. Grande Adriano!

AROUCA

O São Paulo já tem o seu César Sampaio para se arrepender. A gente olha para o decadente e lerdo Rodrigo ZZZZouto ( por falar nele, cadê? Ficou invisível?) e compara com o Arouca. Obrigado, São Paulo! Que jogador fantástico é esse Arouca!

DANILO

Confesso que o xinguei muito e que tenho um pé atrás em relação ao seu futebol. Mas o belo gol de ontem coroou a (boa) participação deste jovem jogador na Libertadores. Fica aqui o (nosso) meu agradecimento.

LÉO & ELANO

Dois jogadores que estavam no grupo de 2003 vice-campeão da Libertadores. Não têm o mesmo vigor de quase 10 anos atrás, mas são importantes demais para o grupo - apesar da fase ruim tecnicamente do Elano. Léo sempre raçudo, guerreiro.

DURVAL & DRACENA

Tá, eu chamo o Edu Dracena de "Edu Desgracena" por conta de suas inúmeras bobagens. Mas vai ser largo assim sei lá onde! O cara tá no Santos tem 1 ano e meio e já levantou 4 taças como capitão! E o Durval, ah, esse aí joga sério - até demais, ô cara amarrada! - e juntamente com o Adriano mostrou uma evolução fantástica desde a chegada do Muriçoca ao comando técnico.

PARÁ

Pensaram que eu esqueceria do Parazinho do ABC? Pense aí num cara contestado e pensará no nosso Marcos Rogério Ricci Lopes, com espantosos 167 jogos quebrando o galho ali pela lateral direita, lateral esquerda, volante... onde precisar, chama o Pará!

JONATHAN

Num balde pequeno coloque 7 punhados de folha de arruda. Acrescente um jarro de água quente e deixe as folhas descansarem. Tome o banho e reze para São Jorge: "Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge". Um excelente lateral que precisa mesmo de um banho pra espantar o azar das contusões...

ALAN PATRICK

Então, teve lá sua importância para o elenco. A grande chance de se firmar no time veio com a contusão do Ganso. Não conseguiu, fazer o que? Resposta: ir pra Ucrânia. Ou Rússia, sei lá...

PAULO HENRIQUE GANSO

Serei bem sincero: é um filho da ****, mas joga MUITA bola, um craque! Que bote a cabeça no lugar.

NEYMAR

Gênio. O que eu falar aqui do Neymar será pouco. Renê Simões, agora às voltas com Jóbson, Carlos Alberto, Ricardinho e Sousa no Bahia, tinha razão: é um MONSTRO da bola! E com esse amadurecimento que vem ocorrendo... segura o moleque!

ZELOV

Ontem o torcedor santista comemorou duas coisas: o tricampeonato da Libertadores e o último jogo do Zé Love no Santos! Tá, Zé Love, você é raçudo, corre um bocado, se dedica, todos reconhecemos e aplaudimos isso. Mas vai ser azarado e ter má pontaria assim lá em Gênova...!

QUEIRRIÇÃO

É mesmo, Keirrison também é campeão da Libertadores da América! E nem assim ele acorda! Ô, Queirrição, acorda pra vida e põe o pé no chão, rapaz!

DIRETORIA DO SANTOS/ PLANEJAMENTO

Sejamos francos: todos ficamos preocupados com o inicio do ano no Santos. Uma certa letargia na hora de contratar reforços, indo para a Libertadores sem um centroavante de qualidade - Borges, no lugar de Zelov, seria artilheiro do campeonato - e o pior de tudo: Adilson Batista no comando. Fundamental a demissão do treinador trapalhão do comando do Santos. Com ele fatalmente não passaríamos de fase. Confiou-se demais na volta de PH Ganso, no Keirrison acordando e Neymar brilhando. Claro que a hora é de comemoração, mas depois da euforia cabem algumas reflexões.

GERAÇÕES

Falam muito da "geração Pelé" , "geração Robinho & Diego" - além dos "Meninos da Vila" de 1978 - e agora da "geração Neymar e Ganso". Eu faço parte da "degradação anos 80 e 90", quando vi Marco Antônio Cipó, Osmarzinho, Edelvan, Neizinho, Camilo, Armstrong, Serginho Fraldinha e tantos outros pernas de pau históricos que vestiram a camisa do Santos. Essa molecada tem sorte em acompanhar o Santos neste início de século XXI. Quanto à "degradação dos anos 80 e 90", tudo o que passamos só nos tornou mais apaixonados pelo SantosFC! Salve o nosso e novo campeão!

COMPARAÇÃO INEVITÁVEL

Para encerrar, uma comparação:
Neymar: 19 anos e uma Libertadores no currículo.
Corinthians: 101 anos e um Tolima no currículo.


terça-feira, junho 01, 2010

Pós-jogo Santos x Gambás: algumas considerações

Demorei a atualizar essa postagem porque imediatamente após o jogo contra o Corinthians fiquei deveras chateado nem tanto pela derrota em si para um time tecnicamente inferior, mas sobretudo pela disposição principalmente dos jogadores que podem decidir a partida – Neymar, Paulo Henrique Ganso, Wesley ( sim, o nosso “elemento-surpresa”, jogador fundamental neste time). E poderia escrever mais besteiras do que normalmente já escrevo.

Se em um time altamente qualificado como o Santos jogadores como Marquinho e Marcel se destacam mais pela vontade do que propriamente pelo futebol apresentado, alguma coisa está errada.

Muito se falou em “ambiente ruim”, “racha no elenco” e “boicote dos meninos” ao técnico Dorival Jr e outras teorias. Mas ao que parece o ambiente na Vila Belmiro está bom – segundo quem está lá constantemente e acompanha os treinos. Claro que houve algum "estremecimento" no grupo após a desastrada entrevista do técnico Dorival Jr. que tentou mostrar “autoridade” via imprensa – e os meninos também deram “recadinhos” via imprensa, o que fez o treinador "baixar a crista" e adotar um discurso mais brando, ressalte-se – mas pelo visto a coisa já foi superada, ao menos é o que todos esperamos.

Então vamos nos deter a breve análise sobre alguns aspectos técnicos, táticos e personagens polêmicas deste time.

DORIVAL JR.
Já falei sobre o treinador aqui mesmo neste blog, em plena euforia pela conquista do título paulista. E deixei uma pergunta: como será a sua atuação, por exemplo, nas fases finais da Copa do Brasil e em jogos decisivos de um campeonato brasileiro com pontos corridos?

No jogo contra o Corinthians novamente errou nas substituições, deixando o já vulnerável sistema defensivo santista bastante convidativo para as descidas do “Ataque corintiano” – a proposta de jogo do técnico Mano Menezes é só uma: retranca. E o posicionamento da zaga também deixa a desejar. Dorival Jr. alega falta de tempo para treinamento. É uma justificativa válida, então o que faria um treinador com algum bom senso? Se não há tempo para treinar, invente o menos possível. Com a parada para a Copa do Mundo, Dorival Jr. tem a obrigação de ao menos equilibrar este time defensivamente.

FELIPE
O goleiro vem sendo bastante contestado e virou o alvo preferencial dos santistas e muitos já pedem a volta de Fábio Costa. Bem, com essa zaga mal postada, sem proteção efetiva à frente de zaga, podem colocar Fábio Costa, Diego Cavalieri, Renan, Dida, Peter Cech, Rodolfo Rodrigues 30 anos rejuvenescido que o time adversário vai continuar chegando na cara do gol diversas vezes.

Antes de crucificar o jovem goleiro santista, seria bom ajustar este sistema defensivo do Santos. Não estou dizendo que Felipe é um goleiraço, extraordinário, nada disso: é um jovem goleiro com potencial para progredir muito na carreira. Precisamos, sim, de um goleiro melhor. Mas repito: da forma como o Santos vem jogando contra adversários mais qualificados, serão 2, 3 gols por jogo, independente de quem estiver no gol. E Fábio Costa, definitivamente, não é a solução para o problema.

MARQUINHOS
É o queridinho do treinador e essa insistência com o jogador vem prejudicando a equipe. Foi bem contra o Corinthians? Eu digo que ele se destacou, sobretudo, pela vontade que até então não havia apresentado. Em um time "molenga" não é tão difícil assim: Geílson, Tiuí, etc.

Mas qual a função do jogador no time titular – e mais: o que ele vem jogando para justificar esta condição? Ele não tem fôlego para marcar, sua chegada ao ataque não é incisiva e constantemente “some” da partida. Há quem diga que o jogador é importante para compor o meio de campo e é a única opção que Dorival tem no banco.

Discordo: antes de esgotar as possibilidades, seria bom que Dorival testasse o jovem Breitner na posição. É um jogador taticamente muito interessante e que certamente comporia muito melhor um meio de campo ao lado de Arouca e Wesley. O problema é que Dorival não o utiliza em jogos mais fáceis e assim insiste com Marquinho o tempo todo.

ASSESSORIA DE IMPRENSA E NEYMAR
Finalmente a assessoria de imprensa do SantosFC apareceu e resolveu blindar Neymar do assédio dos repórteres. Há quem diga que a assessoria de imprensa é um assunto secundário, mas não é: em plena era da informação – e com as novas tecnologias de informação e comunicação – o trabalho deste profissional é de suma importância para orientar e evitar polêmicas desnecessárias, entrevistas desastradas ( como a do treinador Dorival Jr no episódio dos baladeiros) e declarações impensadas, como algumas dadas por Ganso e por Neymar.

Sobre Neymar, o garoto vai oscilar em seu futebol ainda. Em 2003 Robinho levou um chá de banco do treinador Chiliquenta e ao longo daquele mesmo ano teve altos e baixos no campeonato brasileiro; hoje é um baita jogador. Com Neymar é preciso paciência, mas também cuidados e orientações para com este adolescente – as pessoas parecem esquecer deste “detalhe” e confrontar adolescentes humilhando-os publicamente é a pior coisa que pode acontecer a eles. Há que preservar disciplina e estabelecer regras e punições, sim, mas a forma como isto é feito faz muita diferença.

PS: A julgar pela comemoração dos corintianos após a vitória sobre o Santos, a impressão que temos é que eles vão colocar uma nova estrela na camisa. No ano do CENTENADA, talvez seja a maior conquista do Corinthians: ganhar do Santos. (arte by RPN)

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domingo, maio 02, 2010

SANTOS, CAMPEÃO PAULISTA DE 2010 (mesmo com o treinador aprontando novamente)

Foi difícil, foi sofrido demais. O bom time do Santo André engrossou o jogo, fez 3 gols - e 1 mal anulado - e aos 45 minutos do segundo tempo a trave impediu que o time do ABC Paulista saísse do Pacaembu - que recebeu 35 mil santistas - com o título paulista de 2010.

Mas o Santos tem algo que é mágico. À parte misticismos e devaneios poéticos, 15 anos depois de uma das maiores exibições de um jogador no Pacaembu, o espetáculo se repetiu.

Giovanni, em 1995, teve uma atuação de gala nos 5 x 2 contra o Fluminense-RJ; Paulo Henrique Ganso, em 2010, repetiu o feito de seu "padrinho, que o indicou ao Santos, paraense também.

Um jogador com 20 anos de idade, que fala "não" a um treinador que insistia em estragar até mesmo o seu bom trabalho durante a fase classificatória; um jogador com 20 anos de idade que deu uma verdadeira lição em "experientes" do naipe de Marquinho e Roberto Brum, além do lateral Léo. Este é Paulo Henrique, simplesmente sensacional na finalíssima. Quando tudo parecia perdido para o Santos, o jogador bateu a mão no peito e disse "deixa comigo". Gênio!
E, mais adiante, um menino que mal completou 18 anos infernizava a defesa adversária. Marcou dois gols, driblava, escapava de falta, não "pipocou" ( como muitos apostavam) e deu um verdadeiro show de futebol. Enquanto ele esteve em campo, desestabilizou o Santo André. Esse é Neymar, o menino genial que já desponta como craque.

Ao seu lado, já consagrado, Robinho. Que é bastante contestado, que dizem não ser mais o mesmo de 2002. Não é mesmo. Aquele Robinho, que encantava com as pedaladas, ficou no passado. Hoje é um jogador mais objetivo, que melhorou bastante em fundamentos como passe e finalização. O torcedor espera que o Robinho dê pedaladas mágicas em todas as partidas. Não verão mais. Mas verão passes geniais como o que ele deu para o garoto Neymar. Outro perna de pau desperdiçaria o lance.

Tem esse Arouca, volante cujo passe ainda pertence ao São Paulo. Não sei onde o Santos vai arrumar dinheiro, mas precisa ser contratado imediatamente. Alguém aí sente falta do tal Rodrigo ZZZZouto? Alguém aí acha que este jogador faria 1/4 do que fez o Arouca hoje na final - e em todo o campeonato?
E o Pará. O Parazinho do ABC, jogador contestado, xingado, detonado. É o típico jogador que melhora de produção quanto o time vai bem. Seja na lateral direita, seja na lateral esquerda, Pará é um verdadeiro leão, implacável na marcação e ainda se arrisca a uns lances no ataque.
Pois devemos a estes jogadores - Paulo Henrique Ganso, Neymar, Robinho, Arouca e Pará - o título nesta tensa partida final. Sem desmerecer os demais jogadores, mas estes 5 foram geniais!

COMO PERDER UM CAMPEONATO


Basta seguir essa receita:

- Mantenha no time titular um jogador lerdo, inoperante, que joga a 20km/h enquanto o time e o jogo estão a 100 km/h;

- Deixe de fora o vice-artilheiro da equipe e um dos que ajudaram o time a alcançar a fabulosa marca de 100 gols em 28 jogos - e isso para escalar o tal "jogador lerdo e inoperante", mas queridinho do treinador;

- Promova substituições absurdas nos dois jogos finais;
- Tire de campo um dos craques do time e cogite substituir o melhor jogador do time no segundo tempo;

- Invente querer ser "o estrategista" e abandone o esquema e o estilo de jogo que vinha dando certo justamente na fase final;
- Demore uma eternidade para fazer uma leitura de jogo;

- Confie em jogadores reconhecidamente ruins para "dar uma força na marcação".

A receita acima foi fornecida pelo técnico Dorival Jr., que fez de tudo para entregar o título ao Santo André neste domingo, com o Pacaembu lotado de santistas incentivando sem parar o time, com vantagem no placar e quase todos os titulares à disposição. ( e como o Wesley faz falta nesse time, não é?)

Evidente que Dorival tem seus méritos por conduzir brilhantemente a equipe nas fases classificatórias tanto da Copa do Brasil como no Campeonato Paulista. Mas é na hora da decisão, nas fases finais, que vemos com quem podemos contar ou não. E os erros inacreditáveis de Dorival Jr. depõem contra a credibilidade em seu trabalho. O desequlíbrio do treinador foi tão grande que fica a pergunta: como seráa sua atuação, por exemplo, nas fases finais da Copa do Brasil e em jogos decisivos de um campeonato brasileiro com pontos corridos?

Nenhum técnico é infalível e não se trata de reinvindicar aqui um "super técnico". Trata-se apenas de considerar um técnico que não atrapalhe, que arme bem a equipe e não se cometa tantos e inacreditáveis erros como o sr. Dorival Junior principalmente em uma final. Por pouco não compromete todo o trabalho ao longo do ano.

Hoje vimos que podemos contar com Neymar, Arouca, Robinho, Paulo Henrique Ganso e até com o Pará; e vimos também que não podemos contar com Marquinho e Roberto Brum. A grande dúvida é: e com o técnico Dorival Jr., podemos contar?

Não deixemos de pensar nisso.

No momento, vamos comemorar! Esse título do Santos é também uma amostra de que ainda existe futebol alegre, genuinamente brasileiro, que não se intimida com brucutus e recalcados! Um VIVA aos meninos da Vila, um VIVA ao futebol que ainda resiste em nossos gramados! E ainda corrigiu uma injustiça histórica: dispensado por Marcelo Teixeira e Vanderlei Luxemburgo, Giovanni finalmente pôde dar a volta olímpica no Pacaembu, o que foi impedido em 1995 por Márcio Rezende de Freitas. Uma despedida que poderia ter sido participando da partida final, mas graças ao treinador...deixa pra lá! AGORA, QUEM DÁ A BOLA É O SANTOS! O SANTOS É O GRANDE CAMPEÃO!


Escrito por Jaime Guimarães, substituto do Ministro Veiga, ainda desaparecido. Siga-me no twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess

domingo, abril 25, 2010

Santo André 2 x 3 Santos. Dorival, Dorival...

O Santos venceu, no sufoco, o Santo André por 3 x 2 de virada na primeira partida da final do campeonato paulista 2010. Está com a mão na taça e na próxima partida pode perder

E hoje, me desculpem, a bronca vai para o treinador do Santos, Dorival Jr. – mesmo com o péssimo primeiro tempo do alvinegro da Vila, apático e com sérias dificuldades para jogar o seu melhor futebol, o treinador santista não foi nada feliz na tarde deste domingo.

CONSELHOS PARA DORIVAL

Conselho 1: NÃO SE DEIXA NO BANCO DE RESERVAS O ARTILHEIRO DO TIME! Ainda mais para a entrada de um jogador como o Marquinho, que tem lá sua importância tática, mas basta ver que no segundo tempo, com a entrada do André e com a mudança de atitude da equipe, o Santos fez 3 x 1 até com certa facilidade; A melhor formação para esta equipe é com o Pará na lateral direita, meio de campo composto por Arouca e Wesley e o ataque com Robinho, Neymar e André, sendo que o Robinho pode voltar um pouco mais para buscar jogo. Marquinhos é banco.

Conselho 2: NA SUBSTITUIÇÃO, CUIDADO: COM APENAS UMA MUDANÇA PODE DESESTRUTURAR UM SETOR INTEIRO. Dorival Jr. errou feio na substituição para a entrada do Madson. Marquinho fazia uma das piores partidas com a camisa do Santos: nulo, sem função. O lógico seria que este jogador fosse substituído. No entanto Dorival fez lambança: deixou o Marquinho em campo, tirou Pará ( um leão na marcação) e com isso perdeu tanto lateral como meio de campo. O resultado: O Santo André, mortinho em campo, achou facilidade justamente pelo setor direito, fez o segundo gol e ainda foi pra cima acreditando que poderia empatar a partida. Felizmente o jogo terminou antes disso.

Entendam, não é o caso de julgar o Dorival Jr. como um mau treinador, ninguém está dizendo isso. Apenas que na hora da decisão não se pode cometer certos erros – a meu ver, óbvios – e deixar o adversário tomar conta da partida, como fez o Santo André no primeiro tempo e no finalzinho do segundo tempo. Isso poderia comprometer o - belíssimo - trabalho ao longo do campeonato.

DESTAQUES
BOLA CHEIA: Ganso, Wesley e André. O que o Paulo Henrique fez no segundo tempo foi mágico, coisa de um legítimo camisa 10; Wesley mostrou toda a versatilidade que o torna uma das “peças fundamentais” deste time e André mostrou o porquê é imprescindível.

BOLA MURCHA: Edu Dracena e Marquinho. O zagueiro estava tão estranho no primeiro tempo que andou entregando uns lances pra lá de esquisitos e quase que o Santo André vira o tempo com pelo menos 2 x 0 de vantagem; Marquinho foi um jogador que só fez número em campo. "E o goleiro, que falhou no primeiro gol?" Pois é, apesar da falha horrível do Felipe no gol do Ramalhão, o goleiro praticou ao menos umas 3 defesas sensacionais. Tem apenas 22 anos, tem grande potencial.

ARBITRAGEM
PC de Oliveira todo mundo sabe quem é. Neymar foi caçado em campo no primeiro tempo, sofreu pênalti e o grande PC, pra variar, deixou pra lá. E todos os jogadores do Santo André estavam doidos para que o moleque entrasse na provocação e recebesse um cartão amarelo. Não adianta chorar: esse é o PC Oliveira e todos sabem quem é. Inclusive a diretoria do Santos que, salvo engano, nem se manifestou contra a escolha deste péssimo árbitro.

FINALÍSSIMA
Que o time entre em campo no próximo domingo “focado”, sem os habituais “apagões” ( 4 meses de trabalho e isso ainda não foi resolvido) e que Dorival não queria inventar logo na finalíssima. Aliás, que ele relacione o Giovanni para a partida e, no final, quando tudo estiver definido – esperamos que a favor do Santos – o nosso G10, com a tarja de capitão, jogue uns 10, 15 minutos e levante a taça de campeão paulista. Uma despedida em grande estilo para o nosso eterno Messias.

Escrito por Jaime Guimarães, substituindo o saudoso e desaparecido Ministro Veiga.
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domingo, abril 18, 2010

Santos 3 x 0 São Paulo. Juvenal subiu a serra!

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Sejamos justos: o São Paulo até que tentou e usou a sua melhor arma neste ano, a boca. Calma, apressadinho, não estou falando de felattio, e sim dos falastrões pelos lados do Morumbi, mais propriamente o presidente Juvenal Juvêncio.

Que soltou um festival de bobagens logo depois do primeiro jogo em que o Santos venceu por 3 x 2: primeiro, que os meninos do Santos “estavam apavorados” em campo. Logo depois, na reunião que definiu – de novo! - Fábio Koff como presidente do clube de 13, Juvenal Jumêncio ( apropriado, não?) afirmou que o Santos era um clube “de médio para pequeno”.

Não sei de que forma essas declarações repercutiram na Vila Belmiro antes do jogo, mas a julgar a vontade com que Neymar e cia. jogaram contra o São Paulo, sobretudo no segundo tempo, não havia melhor resposta para dar a Juvenal Jumêncio e alguns recalcados da imprensa que insistiam em dizer “ó, mas o São Paulo tem camisa, hein?”. Como se a camisa do Santos também não merecesse respeito.

O JOGO

Dorival Jr. surpreendeu ao sacar o artilheiro do time, André, dentre os titulares para a entrada do Pará na lateral direita e reforçar o meio de campo com Wesley e Marquinhos. Nem precisava: com um meio de campo contando com Rodrigo ZZZouto e Cléber ZZZantana, o São Paulo era lento, burocrático e mal apareceu no ataque no primeiro tempo. O Santos, apesar de ter as melhores chances, parecia ressentir da referência do jovem André no ataque. Uma pena Paulo Henrique e Marquinhos não estarem inspirados no primeiro tempo, pois assim o Peixe poderia virar o placar com pelo menos 2 x 0 com certa facilidade até.

No segundo tempo, Robinho apareceu pro jogo. E aí pobre São Paulo: o craque fez fila, chamou o jogo, deu pedalada, fez tabelas com Neymar, outro que infernizava a zaga tricolor e aí deu no que deu: 3 x 0 sem ter o que contestar, embora a transmissão da Rede Globo tentasse, o tempo todo, encontrar irregularidades nos gols de Neymar. Mas não deu, não é, Arnaldo?

DESTAQUES

Pará jogou bem, mais uma vez. Quebrou o galho na lateral esquerda, foi muito bem na lateral direita. É daqueles jogadores que crescem de produção quanto a equipe está em um bom momento. Felipe foi muito seguro hoje e a dupla de zaga foi muito firme, além do Wesley fazer exatamente o que se espera dele: marcar e aparecer bem no ataque, com toda a mobilidade que possui - o chapéu que ele deu no Richarlysson foi antológico.
Mas o Neymar acabou com o jogo. Robinho no segundo tempo foi muito bem, mas o moleque que desperta cobiça de Real Madrid e Chelsea deu um show desde o primeiro tempo: chamou o jogo, driblou, catimbou, fez gol, fez paradinha, não se intimidou. Claro que o Dunga prefere volantes brucutus a jogadores técnicos e aspirantes a craque, mas tanto ele, Neymar, como Paulo Henrique Ganso deveriam ir para a Copa, sem dúvida.

FUTURO

Agora, na final contra o bom time do Santo André, é preciso manter o mesmo espírito deste jogo de hoje contra o São Paulo: a equipe jogou com seriedade e o principal problema deste time ao longo do ano até aqui, os famosos “apagões”, hoje simplesmente não aconteceram. É um bom sinal.

Escrito por Jaime Guimarães, substituto do Ministro Veiga, ainda desaparecido ( suspeita-se que foi abduzido por reptilianos).
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quinta-feira, abril 08, 2010

Chegou a fase decisiva!

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A última rodada da fase classificatória do campeonato paulista definiu os confrontos das semi finais: Santo André (2.o colocado) x Grêmio Prudente (3.o colocado) e o grande clássico Santos (1.o colocado) x São Paulo ( 4.o colocado). O Palmeiras, em crise permanente, ficou bem longe na tabela de classificação e o Corinthians, sedento por "vingança" contra o Santos, vai ter que esperar pela chance apenas no campeonato brasileiro, pois foi eliminado e corre o risco de transformar o ano de seu centenário em "centenada".

ERA MELHOR CORINTHIANS OU SÃO PAULO?
Se o time quer ser campeão não tem que escolher adversário. No entanto eu acho que seria mais fácil jogar contra o Corinthians. Porque o time de Parque São Jorge é um time lento, que marca mal ( apesar do retranqueiro Mano "chorão" Menezes) e sobrevive de lampejos de um Dentinho - agora pode ser julgado pelas cotoveladas desleais que andou distribuindo em alguns jogos, não é? -, de um Roberto Carlos ou do oportunismo do Ronaldo. E nada mais. Aliás, com esse time aí a corintianada pode se preocupar: não leva Libertadores e se perder alguns jogadores como Elias e o próprio Dentinho é candidato ao rebaixamento no campeonato brasileiro.

E o São Paulo melhorou principalmente depois do técnico Ricardo Gomes tirar da cabeça e do meio de campo a formação que contava com Rodrigo ZZZZouto e Cléber ZZZZantana. O time com esses dois jogadores torna-se pesado, lento, sem criatividade. E não seria com Léo Lima Podre que isso aconteceria. "Reencontraram" por lá o Marlos, que tem muita velocidade e boa técnica e com isso o São Paulo ganha outra jogada forte, além do jogo aéreo e dos arremates de fora da área do Hernanes.

COMO O SANTOS DEVE JOGAR?
Dorival Jr. já anunciou que não muda as características do time: vai com três atacantes ( Neymar, André e Robinho) e apenas um volante, o Arouca. Completam o meio de campo o Marquinhos e o Paulo Henrique Ganso.

Se do meio de campo para frente o time do Santos é muito forte e causa verdadeiros estragos às zagas adversárias, o setor defensivo não inspira confiança. Acho que Dorival está se arriscando muito ao jogar apenas com o Arouca à frente de zaga. O problema é que os volantes do elenco são fracos: Roberto Brum, Rodrigo Mancha e Germano são ruins e agora junta-se a este grupo o fraco Rodriguinho, vindo do Guarani. Não dá nem para dizer quem é o "menos ruim", embora o Germano tenha se mostrado mais "útil" recentemente. Para o campeonato brasileiro, que contratem logo um bom volante: olhem o bom e velho Marcos Assunção no Grêmio Prudente! Dizem que já acertou com o Palmeiras, o que é uma pena. Seria perfeito para o Santos.

Não abdicar do ataque e manter as características do time é louvável, mas ter variações táticas defensivas também não seria ruim. Não estou falando de retranca, apenas uma proteção à zaga e ao grande "calo" do Santos: as laterais.

E AS LATERAIS?
A lateral direita do Santos é um problema sério. Contrataram Maranhão, mas não inspira confiança; George Lucas é a opção imediata, mas além de viver machucado não é bom marcador, apesar de ser razoável no apoio.

Por isso Dorival Jr. tem improvisado por aquele setor: Brum, Wesley e Pará. Dessas improvisações, talvez a menos ruim seja o Pará. Pastor Brum só tem lugar em uma faixa do campo: o banco de reservas e tá bom demais até; Wesley rende melhor no meio de campo - e depois que ele andou se aventurando (mal) no setor direito, seu rendimento no meio de campo caiu;

Resta o Pará, que vinha quebrando o galho na lateral esquerda ( e bem) até a volta do Léo - que voltou mal. Gosto muito do Léo, mas no momento o Pará deveria ser o titular da lateral esquerda. Mas não tem muito jeito para este jogo: Pará, apesar de todas suas limitações, marca melhor do que Lucas, Wesley e Brum. E é quase certo que o São Paulo vai explorar justamente as descidas do Marlos e do Dagoberto pelas laterais para chuveirar na área pro Washington tentar alguma coisa.

Não acredito em goleada ou vitória fácil santista. Mas o que pode ajudar o Santos nas duas partidas pelas semifinais está no banco do São Paulo: Ricardo Gomes. O treinador é um tanto atrapalhado e costuma mexer mal na equipe. Neste aspecto o Santos está melhor servido.

Escrito por Jaime Guimarães, que assumiu temporariamente o blog enquanto o Ministro Veiga continua desaparecido. Qualquer informação ligue 0800-171-171. Não há recompensa, apenas contamos com a boa vontade e o enorme coração das pessoas! =D

segunda-feira, março 15, 2010

Sobre Santos 3 x 4 Palmeiras: um grande jogo e lições a aprender

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O Palmeiras quebrou a invencibilidade de 12 partidas do Santos ao derrotar o alvinegro por 4 x 3 na Vila em uma grande partida. Teve de tudo ontem no estádio Urbano Caldeira: gols bonitos, falha de goleiro, dancinhas, arbitragem frouxa, lances geniais.

O Santos falhou muito em seu setor defensivo. Culpabilizar o goleiro Felipe pela derrota – falhou no 4º gol por estar adiantado e desatento no jogo – é simplista e esconde a principal deficiência do time neste campeonato: o desequilíbrio entre um ataque incrível e um sistema defensivo frágil. Sem contar os “apagões” que o time sofre em determinados momentos dos jogos. O Santos simplesmente “para” de jogar e isso vem acontecendo desde a partida contra o Bragantino, passando por Rio Claro, Corinthians e até Naviraiense (no 1º jogo, em MS).

Dorival precisa resolver isso. A zaga está muito desprotegida e é preciso de um volante “cão de guarda”, daqueles que tenham como ofício a marcação implacável e a cobertura da zaga. O problema é que no elenco só tem “meia boca”: Roberto Brum, Germano e Rodrigo Mancha são fracos. Mesmo assim Dorival deveria pensar na escalação do Mancha, o menos ruim dos três, para compor melhor o meio de campo. É bonito ver uma equipe com vocação tão ofensiva, mas é bom lembrar que não é todo o dia que um time toma 3 gols e marca 6.

Ontem marcamos 3 gols no Palmeiras – que obviamente não é a Naviraiense, como certos comentaristas insinuaram – que tem Marcos no gol, mas tomamos 4 gols em falhas grotescas de posicionamento da zaga, tanto que no 1º gol verde eram três jogadores subindo para cabecear, livres de marcação, restando apenas ao goleiro Felipe uma saída não muito honrosa, mas sem muito o que fazer. O resultado acabou sendo justo porque o Palmeiras soube aproveitar bem todas essas deficiências santistas.

Patrulhamento


Enquanto o Santos e os meninos da Vila faziam a festa contra Bragantino, Rio Branco e outros times do interior, ninguém reclamava de “desrespeito” e “gracinhas” que os habilidosos jogadores de frente do Santos faziam – muito pelo contrário, diversos comentaristas e jornalistas exaltavam a “volta do futebol arte, do futebol moleque” e outros termos elogiosos e saudosistas.

Porém primeiro veio a paradinha no pênalti convertido por Neymar no clássico contra o São Paulo e um humilhado Rogério Ceni desabafando de forma grosseira e arrogante contra o moleque ousado de 18 anos recém-completos; depois veio o chapéu no zagueiro Chicão, do Corinthians, em clássico vencido pelo Santos na Vila. E aí começou todo o patrulhamento em torno dos jovens jogadores santistas. Houve até quem defendesse que o Chicão "arrebentasse" o Neymar.

Os mesmos jornalistas e comentaristas que outrora louvavam o “futebol moleque” passaram a falar de “molecagem”. Passaram a dizer que o time de meninos era “mascarado”, que subestimava e humilhava os adversários.

Ao final da partida contra o Santos, o meia Diego Souza, do Palmeiras, tomou as dores do zagueiro Chicão e desabafou: “eles fazem o que querem, subestimam muito os outros times. O Neymar disse que deu aquele chapéu no Chicão porque deu vontade. Isso não se faz”. Seria ótimo que o Diego Souza também fosse solidário a jogadores que recebem cotoveladas e são caçados em campo. Isso, sim, não se faz.

Há uma inversão de valores muito interessante. Jogadores com Neymar, Paulo Henrique e Robinho possuem recursos técnicos que um Chicão, Dentinho e Diego Souza não possuem. Pecado seria se os jogadores santistas não utilizassem todos aqueles recursos, como pedaladas, dribles, lançamentos, chapéus. Interessante que tais recursos são vistos como “desrespeito” ao adversário, mas as cotoveladas e lances perigosos que se constituem em entradas maldosas são considerados “do jogo”. Se outros jogadores não possuem toda essa técnica, cabe a eles encontrar seus pontos fortes e treinar, e não procurar intimidar um grupo de garotos que joga futebol como se fosse uma diversão.

Diversão. Talvez este seja o problema. Em um mundo muito chato e politicamente correto, onde palavras como “respeito” e “profissionalismo” muitas vezes não passam de meros discursos hipócritas quando se convém utilizar – sobretudo no Brasil, onde o “jeitinho” e o improviso infelizmente ainda imperam - , a diversão, a alegria, a espontaneidade parecem ser proibidas.

Eu me divirto vendo esse jovem time santista jogar, mesmo que não seja campeão ( é futebol, nem sempre os melhores times vencem, vide Brasil 1982) é um prazer assistir partidas em que o Santos entra em campo. Porque não apenas os meninos jogam bonito e com alegria que resulta em belos lances e gols fantásticos, mas também porque o adversário se esforça ao máximo para vencê-los. E o resultado é um grande jogo de futebol.

Infelizmente, ao que parece, para muita gente, perdura a filosofia Pé-de-Uva do futebol de resultados cujo o gol é “apenas um detalhe”. Que seja. Mas não condenem o que só aparece de tempos em tempos e por um curto período em nosso pobre e desgastado futebol: um time alegre, espontâneo e habilidoso.

Porque também precisamos de um pouco de humor!

Palmeirenses agora estão com a moda do “Porcolation”.Nada contra, é criativo,desde que fique apenas neste campo das dancinhas e brincadeiras saudáveis, sem descambar para agressões. Neste espírito vamos relembrar uma charge do saudoso Ministro Veiga, desaparecido desde 2008 e que até hoje não se tem notícias sobre seu paradeiro.
Escrito por Jaime Guimarães, que achou a senha do blog com a ex-namorada do Ministro Veiga, a Cunegunda. Só não perguntem como ele obteve tal senha. Siga no twitter: www.twitter.com/jaimeguimaraess e no blog http://grooeland.blogspot.com/

sábado, abril 18, 2009

Santos 2 x 1 Palmeiras - É nóis na final!

E VIVA A MOLECADA!
Por Fidenco Neto

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“O Santos sobrou em campo”. A frase, dita pelo treinador Vagner Mancini, pode soar até arrogante, mas é apenas um retrato fiel do que foi o jogo vencido pelo Santos por 2 x 1 no Palestra Itália, marcando a passagem do alvinegro para a final do campeonato paulista.

O Santos poderia ter matado o porco logo no primeiro tempo. Paulo Henrique, Neymar e MADson davam o tom do baile no gramado. Paulo Henrique é um craque de bola, parece um veterano jogando futebol; Neymar é a inteligência, o toque esperto; MADson corre muito e pensa pouco, mas simplesmente acabou com o Palmeiras.

Time desacreditado, com um inicio de ano complicado, jogadores contestados, classificação conquistada no sufoco na última rodada e duas apresentações primorosas na semi-final contra o melhor time do campeonato e apontado como favorito ao título. Sim, para quem tem boa memória tal panorama lembra bastante o ano de 2002.

Tem lá suas semelhanças, e com personagens fundamentais para isso. Vagner Mancini, apesar de teimoso e por vezes inventar demais em substituições, vem fazendo um bom trabalho no Santos e cabe a ele parte dos louros por essa reabilitação santista. Mas na opinião deste calunista ( sou apenas um torcedor comum convidado para escrever aqui hoje) o que mudou a cara deste time foi a promoção destes dois moleques fantásticos: Paulo Henrique e Neymar.

PH e Neymar possuem muita técnica e um componente que os distingue dos seus companheiros MADson e Kleber Feijoada: inteligência. MADson e KP são fundamentais para o time, mas não primam muito pelo QI. Já os moleques, além de saberem usar a cabeça, jogam futebol, algo tão raro nestes tempos de marketing descarado e “fenômenos brahmeiros”.

E pensar que Paulo Henrique por pouco não foi detonado por parte da torcida do Santos; e pensar que Paulo Henrique chegou ao Santos por indicação de um sujeito que foi tratado como um vira-lata qualquer pelo presidente e pelo ex-treinador do clube. ( ex-treinador que, pra variar, tentou apitar o jogo, chorou um bocado na coletiva e tomou um cala a bola bem dado do Vagner Mancini)

Nada o que contestar da vitória expressiva e fantástica do Santos sobre o Palmeiras. Nem mesmo a expulsão maluca do Domingos, nem mesmo os chiliques do esquentadinho e desequilibrado Diego Souza ( já devia ser expulso ainda no primeiro tempo) e, graças a Deus, nem mesmo o frango histórico do Fábio Costa ( não, não dá mesmo para confiar no goleiro, que me desculpe os fãs) tiraram o brilho de uma apresentação de gala do Santos.

FRASE DA NOITE ( ou CALA A BOCA, SR.EX-TRATEGIXTA)
“É uma declaração infundada. Ninguém pode colocar palavras na minha boca. O Santos veio aqui pra jogar bola, jogou bola, jogou melhor aqui e na Vila Belmiro.”
Vagner Mancini, em entrevista à Rádio Globo-SP

Fidenco Neto, 25, é torcedor do SantosFC. Mora em SP, no bairro do Tucuruvi, Zona Norte e assistiu a Palmeiras 1 x 2 Santos no Parque Antártica. Demorou para atualizar o texto porque passou no açougue e comprou uns miúdos de porco para a feijoada deste domingo.

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segunda-feira, abril 06, 2009

Papo de bar após Puta Preta 2 x 3 Kléber Feijoada

- Rapaz, que sufoco, hein!
- Foi, foi mesmo! Mas Kleber Pereira arrebentou a Ponte! Tá vendo? Artilheiro é artilheiro e você ainda critica o cara!
- Mas hoje ele fez o que se espera que ele faça: gol. O povo fica aí falando em “nova função tática pro Kleber Feijoada”, que nada, a tática dele é empurrar a bola pro gol!
- Mas você criticava o cara e pedia o Roni, digo, Coni! Coni! Meu, cê é louco, só você mesmo!
- Se querem um atacante que faz as vezes de “pivô” e busque o jogo, então o Roni taticamente é melhor que o Feijoada...
- Cê tá louco mesmo! Atacante que não faz gol não é atacante! Aliás, o Neymar ta devendo!
- Lógico, o moleque só tem 17 anos, é caçado em campo e seu companheiro de ataque é um egoísta, queria o que?
- É impossível conversar com você! Aposto que vai criticar até o Fábio Costa hoje!
- E é proibido?
- Porra, não me diga que viu algum defeito hoje no Fábio? Ele foi aquele goleiraço que todos nós conhecemos!
- Mas você viu o que ele aprontou aos 47 do segundo tempo? Lance parado, atacante da Ponte Preta parado, impedimento marcado e o que o Fábio Costa fez? Deu suas famosas saídas de gol! Pra que isso?
- Éééééé Fábio Costaaaa! É assim que eu gosto!
- Se ele acerta o jogador da Ponte daria uma baita confusão!
- É mesmo? Então traz o Henao de volta! Ou o Felipe...que catou muito no jogo da Portuguesa Santista, você viu? Mas a Briosa já ta quase rebaixada, já era.
- Era ele mesmo? Não vi todo o jogo, não. E não vi também futebol no Rodrigo Souto, pra variar. Na verdade Brum e Souto é uma das piores duplas de volantes que já vi! Não marca ninguém!
- Olha, assim não dá. Souto é craque, pode até sumir um pouco em campo, mas joga muito, ele e o Brum.
- O Brum é bom de oração. Com esses dois o meio de campo do Santos fica muito lento, burocrático demais e, incrível, não marca. E ainda tem o Madson, que é burro e...
- Pô, cara, aí não! Aí não admito! Cê ta cornetando o Madson, o cara dá o sangue em campo!
- Podia mandar o sangue para alimentar os neurônios, porque futebol precisa disso aí também, não é só correr. Felizmente o Paulo Henrique tem neurônios mais que suficientes pra se destacar no meio dessa mediocridade toda...
- Paulo Henrique? Porra, o cara é muito lerdo, sumidão em campo, sem chance!
- Pra mim é Paulo Henrique e mais dez.
- Olha, tudo bem que você é fã do Giovanni, mas menos, né, menos...
- Você viu o gol que o Giovanni fez hoje? Me diz se o Lúcio Flávio faz um daqueles, me diz.
- Chega! Vamos parar por aqui senão você vai pedir o Giovanni de volta! Que coisa, você é muito corneta! Desce outra cerveja e vamos falar de outra coisa.
- Vamos. Você viu? Até o Obama concorda comigo: Lula é o cara! E agora foi indicado pro Nobel da Paz!
- Cara de pau, só se for. E o que é esse Nobel? Ah, saco, deixa pra lá, vamo beber que é melhor!
- E semana que vem, tem mais feijoada!
- Com certeza! Os miúdos de porco tão garantido! Saúde!
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Escrito por Pafúncio de Sá Kane. Dê uma força ao Pafúncio de Sá Kane e ao blog Grooeland ajudando-o a ser escolhido como o "melhor blog" da comunidade "eu tenho um blog". Para votar não é necessário ter título de eleitor, basta clicar AQUI.

domingo, março 15, 2009

Santos, o time

Times de futebol existem aos montes no mundo. No Brasil, encontramos diversos times com suas peculiaridades que os tornam especiais na história. Assim é o Palmeiras, sempre marcado pela “Academia”; assim é o Botafogo, que sempre levará consigo Garrincha, Didi e Nilton Santos; assim é o Cruzeiro, de Tostão e Dirceu; o Flamengo de Zico, o Vasco de Roberto Dinamite, o Inter de Figueroa e Falcão.

Que me perdoem os torcedores destas e outras agremiações tradicionais no Brasil, mas o Santos é diferente. Que outro time poderia reunir o passado, o presente e o futuro em um mesmo jogo, contra o modesto e desesperado Mogi-Mirim no Pacaembu?

A vitória por 3 x 0 fica em segundo plano. As variações táticas, a escalação, as ausências de Rodrigo Souto e Roberto Brum ( dos quais ninguém sentiu falta, aliás) ficam para depois. O que a torcida viu no Pacaembu foi história. Foi uma amostra do que é feito o SantosFC.

Primeiro, o passado reverenciado. Giovanni, 36 anos, encerrando a carreira no Mogi-Mirim, sendo homenageado pela torcida presente no Pacaembu, palco de uma das mais brilhantes exibições que se tem notícia de um jogador. Giovanni está velho, se arrastando, está nas últimas? Não importa. O santista se lembrou e viu G10 mais uma vez. Obrigado, Don Giovanni!

O torcedor viu o presente. Vem assistindo a um time que, se não é brilhante, ao menos tem bem mais disposição que os tristes e desanimados times do 2º semestre de 2007 e do ano inteiro de 2008. Até o Fabão melhorou muito seu futebol, vejam só! Méritos deste treinador, Vagner Mancini, que pelo visto deixa de ser uma promessa para aos poucos tornar-se realidade.

E, finalmente, o futuro. O futuro nos pés e nos passes de Paulo Henrique, indicado pelo próprio Giovanni; o futuro nos pés e dribles de Neymar, que emocionou a todos com aquele soco no ar ao comemorar seu primeiro gol como profissional.
Claro que é preciso ter calma com os garotos. O problema é que conhecendo a história do Santos é difícil não deixar-se levar pela euforia, pelos novos “Meninos da Vila”, por esses meninos que surgem na Vila de tempos em tempos e que tornam este time diferente, diferentemente apaixonante e mágico.

domingo, março 08, 2009

Santos é de Santos, é de São Paulo, é do Brasil, é das Américas, é do Mundo!

Acompanhando os noticiários esportivos pela mídia, vejo que os “especialistas” em futebol ainda se surpreendem com o fato da torcida santista mais uma vez dar um espetáculo nas arquibancadas do Pacaembu, desta vez em partida contra o Oeste de Itápolis, vencida pelo peixe por 2 x 1.

Acaso os “especialistas” estejam desavisados ou procurando descobrir quantos gramas o “Fenômeno de Marketing” perdeu na última semana, deixo uma dica: o jogo contra o Mogi-Mirim será também no Pacaembu e podem aguardar dois grandes espetáculos - a torcida santista em peso ao estádio Paulo Machado de Carvalho e a homenagem que certamente a massa santista fará a um de seus grandes ídolos, Giovanni, hoje no Mogi. É praticamente a despedida de um grande craque e o surgimento de outro, o Neymar. Podem se arrepiar.

É curioso que “especialistas” se surpreendam com a grande torcida santista. A imprensa esportiva, sobretudo a paulistana, se deixa levar pela troça dos rivais, especialmente de corintianos, que gostam de piadas do tipo “Viúvas de Pelé”, “a torcida do Santos cabe numa kombi” ou que o Santos faz clássico é contra o Jabaquara. Abrindo um parênteses, de fato o Jabaquara leva uma grande vantagem em relação a certo time da capital cuja sede conta com vista privilegiada: tem estádio para mandar seus jogos.

O SantosFC é um time especial. E não é só por causa do Pelé, não. No final da década de 20 ficou famoso o ataque da “linha dos 100 gols”, formado por jogadores como Siriri, Feitiço, Patuska e Evangelista. Todos queriam ver este ataque fantástico e o time que, de 29 partidas disputadas, venceu 27 e já estava com a fama de “imbatível”. Não foi à toa que o Vasco da Gama convidou justamente o Santos para a inauguração do estádio de São Januário, o maior do país à época. A Bahia também queria ver o esquadrão alvinegro e uma série de amistosos pela boa terra foi realizada. E o alvinegro praiano confirmou sua fama em todos estes jogos. O Santos, que já contava com esse carisma neste começo de sua história, tornou-se verdadeira mania entre os brasileiros durante o final da década de 50 e inicio dos anos 70, na história mais fantástica de um time do futebol mundial. Daí para duas gerações de “meninos da Vila” é história.
Isso chama-se carisma, nobres “especialistas”. Não é preciso ter 30 milhões de torcedores ou um grande estádio particular para que a paixão por um time se estabeleça e arraste multidões aos estádios, seja em Santos, São Paulo, Rio de Janeiro, Américas, Europa, na África, enfim, no mundo. Não se surpreendam e tampouco subestimem a torcida santista. Nós sempre provaremos que estão errados.

sábado, março 29, 2008

Caso Neymar - Entenda como o Santos agiu

Primeiro contrato profissional - Ou paga luvas ou dá porcentagem do próprio contrato. É o que o Santos corriqueiramente faz.

Normalmente, no primeiro contrato de um junior, o cara já vem com um potencial e algum empresário. O clube assina com o atleta e fica, por exemplo, com 70% dos direitos federativos e dá 30% ao atleta. O atleta repassa o que quiser ao empresário. Na renovação desse primeiro contrato, o clube paga luvas para renovar, ou aumenta o percentual que caberia ao atleta.

No exemplo acima, dá mais 10% por uma prorrogação de 1 ou 2 anos, por exemplo, sem pagar nada por isso. Passe, direitos federativos, atestados liberatórios e multa contratual - passe não existe mais. O clube detém direitos federativos sobre o atleta e, com base no salário do cara, estabelece uma multa contratual (sim, há uma relação entre o salário e a multa para o mercado interno). O clube detém porcentagem de direitos federativos. Por exemplo, 70%. O cara têm uma multa contratual de 100 milhões. A multa cabe integralmente ao clube, porque a porcentagem diz respeito aos direitos federativos, não à multa contratual.

Atletas com diversos "proprietários" - É muito comum o "condomínio" dos direitos federativos do atleta. Por exemplo, o Clube A, do Interior, tem uma jovem promessa e resolve tentar valorizar essa jovem promessa visando uma venda futura ao Exterior, além de fazer caixa no momento.
Esse clube chega num clube grande e diz: vamos fazer uma parceria nos direitos federativos desse atleta ? Fica assim, eu te empresto o cara por X reais. Se a gente vender o cara para o exterior, nas janelas Y e Z, eu te dou 50% da grana que vier, porque vc foi o clube que possibilitou a visibilidade do atleta.

Pode acontecer que o negócio não seja no empréstimo oficial, e o clube comprador queira comprar parte dos direitos federativos. Ai manda quem tem mais porcentagem, evidentemente sujeitando-se a ações de perdas e danos pela frustração de algum negócio (vide caso Juninho Paulista)

Se o jogador é emprestado, quem manda é o clube proprietário dos direitos sobre o atleta, mesmo que haja um acerto para partilha da grana que vier do Exterior; se há condomínio, há uma negociação lastreada na participação dos clubes envolvidos.O rateio dos direitos federativos é bem explicitado nos contratos registrados nas Federações (qualquer contrato entra pela Federação local, que o informa à CBF). Um contrato de empresário, de procurador, é informado à Federação.....mas o jogador deve sempre estar vinculado a um clube.Findo o prazo contratual, acaba qualquer direito do clube sobre o atleta.

E isso vale para pré-contratos, assinados com 6 meses de antecedência sobre o término do contrato.Se, porventura, houver um contrato de empréstimo oficial, é comum estabelecer-se que o clube para o qual o jogador foi emprestado, e que o projetou para uma futura negociação fora do país, tenha direito a uma participação em eventual negociação futura, que fica assegurada por uma ou duas janelas subsequentes ao término do contrato.

Atenção para um vacilo comum dos clubes - Imaginem vocês que por exemplo o Madureira do Rio de Janeiro empreste um jogador para o Santos. É empréstimo oficial e, em tese, o contrato deve chegar até o fim...certo?

Bem, pensando assim, o Santos "esquece" de colocar multa pela rescisão do contrato (vejam bem, pelo contrato, não multa do jogador, que está acertada com o clube de origem). Aí um time turco ou coreano quer o cara e não vem negociar com o Santos, mas com o Madureira, que é o dono dos direitos federativos.

Se não houver multa estipulada no contrato de empréstimo, e se o clube estrangeiro deposita a multa pela rescisão do atleta com o clube de origem (Madureira), ele consegue levar o cara embora e registrá-lo no Exterior.

Consultoria: Daniel Romanoff, o Bykoff.
Custo: um sushi e um "muito obrigado" uhauhauha!